terça-feira, 27 de março de 2012

The Burning House






Por casualidade conheci o projeto de fotografia de Foster Huntington aqui, o que me levou a passar muito tempo acolá. É mais do que um projeto de fotografia, é daqueles que inspiram, que nos levam a questionar o que verdadeiramente nos faz falta, ou se nos faz falta mais alguma coisa que não sejam as pessoas, as que temos, as que se vão cruzando connosco ao longo da nossa vida e as que ficam na nossa memória.

Certamente, que é uma pergunta que a muitos de nós, já nos passou pela cabeça:
Se a minha casa estivesse a arder, o que levaria comigo?

É tão curioso saber o que cada um tentaria salvar de um incêndio, e como as prioridades mudam consoante as profissões, idades e experiências de vida. Os que perderam mais, são os que salvariam menos.
Se me perguntassem neste instante o que levaria, não pensaria em salvar mais nada a não ser a própria vida e a dos meus. Quanto aos objetos, por muito que tenha estima por deles e que pareçam indispensáveis, se tenho o azar de os perder, é apenas um sinal de que vou encontrar outro diferente brevemente.
Provavelmente há 15 anos atrás, não pensava assim, e teria escrito uma lista com um mapa de localização desses objetos em casa, essencial para o salvamento.

O texto de Ilona Royce Smithkin de 91 anos, é inspirador. Retirei-o do site The Antropologist, assim como a sua fotografia.





«I really went through a fire, and I was thinking there are lots of things I like a lot, but I'm not that attached that I couldn't be without them. You know?
What happened was that a young man who lived underneath me left his cigarette burning, and went across the street at three o'clock at night to have a cup of coffee. It was an old building, a very old building, and so the whole front was burning.
I asked myself what can I say from this — what good can come out? The only good thing is that you realize whatever you possess are THINGS. And so it's not easy to replace anything you've painted, but — they are THINGS. You — alive! The best thing you have is your life, you see? And this is why now, in my old age, I feel if anything happens…
I mean there are certain things — like you might have a certain brush, but you can work it out and get another one, you know. Almost anything is replaceable, except your life. And that is what's important. – I.R.S.»



Todas as outras imagens são do site The Burning House.

3 comentários:

sara (sushi lover) disse...

gosto muito desse site e já pensei muitas vezes nesta questão pq onde vivo há semanalmente alarmes de incêndio (sempre falsos graças a deus) e no japão havia semanalmente terramotos.

cheguei à conclusão que, se não tivesse totalmente histérica em pânico a tentar salvar a própria vida, levaria o computador e o disco externo - eu sei, tão pouco romântico - e a carteira.

claro que há fotos e livros e recordações bonitas mas acho sempre que em pânico somos mais práticos e deixamos tudo para trás pela vida.

nesse site há fotos engraçadas mas será que num incêndio alguém se preocupava mesmo com uma grafonola?

Mas é um lindo exercício de reflexão sobre os objectos que nos rodeiam e a sua importância.
Gostei muito do texto.

ana margarida disse...

Eu levava o dossier do IRS só para não ter chatices! :P

ana margarida disse...

para além das pessoas claaaro