terça-feira, 1 de maio de 2012

Partilhar ou não

 
Depois de ler o post da Sílvia, fiquei com vontade em dar a minha opinião sobre o assunto, mas acabei por desistir de comentar no seu blogue porque a opinião ia demasiado longa.

Não consigo aderir completamente ao facebook. Acho que isso acontece-me, porque antes do facebook eu já tinha um blogue. Os meus amigos que mais tarde aderiram ao facebook admiravam-se por nem sequer estar registada. É claro que a maior parte dos amigos e família nem sequer lia o meu blogue, alguns nem faziam ideia de que o tinha e por essa razão não compreendiam a minha resistência.
O motivo que me levou a ceder, foi para ficar em contato com algumas pessoas para mais facilmente passarmos recados umas às outras e substituiu o messenger. A página do blogue no facebook é recente e criei-a porque há leitores que preferem acompanhar os posts daqui através do facebook.

O blogue permite escrevermos ou publicarmos imagens sem esperar nada em troca. Temos um blogue acima de tudo para nós próprios, mesmo que te apercebas mais tarde que o lêem. Claro que há quem inicie um blogue com a intenção de conseguir obter a maior visibilidade possível, nota-se logo pelos conteúdos, alguns com interesse outros nem por isso. Há uns anos atrás isso não acontecia, não tínhamos a noção da divulgação ou exposição que um blogue poderia vir a ter. A meu ver, no facebook intervém-se de modo a obter-se reações imediatas, é um frenesim e parece estar em primeiro lugar o modo como queremos que os outros nos vejam, mas também acredito que nem todos sejam assim. Num blogue o espaço é mais tranquilo, visita-te quem se identifica com a tua «casa», procuram-te sem te impores a ninguém.

No facebook o «ruído» cai-te em cima assim que te ligas, é confuso e cansativo visualmente, mas não digo que não vou lá, claro que também vou, mas confesso que seleciono bastante. Prefiro ser eu a consultar apenas o que me apetece.
No blogue ninguém interfere inoportunamente, respeitam-te mais porque é a tua casa, no facebook entras e parece que estão todos sentados na tua sala, mesmo até os que não convidaste.

Se sinto algum problema em expor-me no blogue? Ao fim de 6 anos ainda não, mas vou sempre a tempo… Comecei a utilizá-lo para divulgar uma parte do meu trabalho e nem sei muito bem explicar como, tornou-se num diário gráfico, que posso consultar em qualquer lugar do mundo. Até agora tem sido uma experiência muito positiva e saudável.

Vejo o universo dos blogues um espaço de partilha, também me inspiro ao visitar outros e é justo partilhar o meu. Sigo alguns, mas também já desisti de acompanhar outros porque deixei de me identificar, os próprios autores também mudam. No facebook parece mal querer “desamigar” alguém enquanto nos blogues não há compromissos deste género.

Ao mostrar o que sentimos através dum blogue, arriscamo-nos a mostrar alguma coisa que não queremos e ficamos sem rede porque cada um interpreta o que quiser sobre nós. Mas uma partilha neste tipo de registo não deve ser sempre interpretada como uma exposição desnecessária, não é uma coisa má. É bom partilhar e mostrar um bocadinho daquilo que somos, por experiência própria recebemos um feedback mais sincero, isso é que é uma verdadeira partilha. Continuo a achar impossível fazer isto no facebook.

Não tenho interesse em mostrar que estou num concerto, que estou na rua x ou a tirar um bolo do forno. Se estou num concerto estou a sentir a música, se estou a tirar o bolo do forno estou a viver isso e não preocupada em mostrá-lo dali a segundos para que me digam de imediato que está com ótimo aspeto, isto sim é típico do facebook e provavelmente há quem se sinta frustrado se não receber «likes». Eu prefiro publicar mais tarde aqui no blogue uma fotografia do bolo e partilhar a receita. Apesar de expor-me não vivo dentro do blogue, faço outras coisas e há tantos momentos que não fazem sentido serem partilhados. O blogue é só um caderno onde registo inspirações, algumas emoções para não me esquecer e divulgo parte do meu trabalho.

Talvez já tenha exposto demasiado a minha filha, mas no registo das inspirações e emoções ela é fundamental, era inevitável. É claro que um dia destes deixo de o fazer, acho que ganho coragem para isso no dia em que ela decidir «googlar» a mãe, porque nem todos os miúdos se identificam com este tipo de registo.

E acabei de me expor mais um bocadinho, mas partilhei e isso também é bom.

5 comentários:

Maria Filomena disse...

Vera,
já aderi ao fecebook,
mas a maneira como ele é manipulado, como é gerido
não me agrada...é muita velocidade para o meu gosto...
Em suma: um consumismo exagerado, se é que se pode aplicar a expressão ao caso...
Concordo contigo...Gosto mais dos blogs....
E já agora, gostei imenso do teu texto e dos pingentes....com cores tão lindas...
abraços com votos de bom feriado

de MF

Sílvia Silva disse...

Obrigada Vera! E como me identifiquei com tantas das tuas palavras aqui:)

koklikô disse...

Que trabalhos tão bonitos e delicados, parabéns !
Concordo com o que escreveste acerca dos blogues vs facebook
Hei-de voltar para ler mais :)

Andreia disse...

100% de acordo em relação ao facebook. Também gosto muito mais dos blogs e este é um deles que gosto de visitar (nem que seja com meia dízia de posts em atraso)

Rachelet disse...

Totalmente de acordo! Já me aconteceu várias vezes dizer que tenho um problema com o facebook e a forma como todos se arrogam direitos sobre as vidas uns dos outros e com a sobre-exposição que para ali vai. Quando o digo, aqueles que o conhecem apontam-me «então, mas tens um blogue, também te expões muito nele». E é verdade.

Tirando dados geográficos e relações familiares, exponho no meu blogue o que realmente penso e sinto sobre algo, experiências de vida que não cabem naquela linhazinha do FB. Mas como explicar que é diferente?

Pois bem, acabas de o fazer por mim com a questão da casa e do respeito que se tem (ou deveria ter) ao entrar na casa de alguém. Obrigada. ^-^