sexta-feira, 21 de junho de 2013


A ler de fio a pavio a A História das Coisas apetece-me transcrever para aqui tudo o que a autora explica pormenorizadamente ao longo dos capítulos, de como tudo está interligado – política, consumo, recursos naturais, saúde, sociedade, alimentação, etc. De como a mudança pode levar gerações mas também pode acontecer num segundo, e de como o crescimento económico não é o verdadeiro caminho como nos querem incutir, no nosso país e noutros.

Hoje, ao ler esta entrevista, achei que as palavras da Manuela Araújo simplificavam uma pequena parte do que queria registar.

«(…) os governos são praticamente controlados pelo poder económico e financeiro das grandes multinacionais, e perfeitamente viciados em “crescimento” económico. Veja o caso de Portugal, em que a “crise” tem justificado um “andar para trás” a nível ambiental sem precedentes – diminuição de coimas ambientais, promoção da monocultura de eucalipto, barragens em paisagens protegidas, etc.; ou o caso do Brasil em que a ambição de crescimento tem permitido a continuação da destruição da floresta – novo código florestal mais permissivo, a barragem de Belo Monte e a destruição do Rio Xingu, o genocídio do Povo Guarani Kaiwoá, etc.; ou o caso dos EUA onde recentemente permitiram uma lei que praticamente concede imunidade total à Monsanto, uma empresa que detém 90% do mercado de transgénicos e com um historial de corrupção inacreditável. (…)»

«O capitalismo já nos demonstrou que é um verdadeiro predador de recursos e de vidas humanas. É uma filosofia de mercado que não respeita nem os limites do planeta nem os limites das pessoas. É uma procura incessante de lucro para poucos à custa de muitos e da destruição feroz de recursos. E esta economia verde de que tanto se fala mais parece o capitalismo a pintar-se de verde, como um lobo a vestir pele de cordeiro. Se vir bem, esta economia verde está a ser impulsionada pelas mesmas corporações que tem vindo a destruir recursos e a acumular riquezas. Portanto, o princípio está errado. Só uma economia que não vise o lucro de alguns à custa dos outros pode defender o planeta e as pessoas. Não é o caso desta “economia verde”, e esse não é o caminho do desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento não será sustentável se só se basear em tecnologias que emitam menos CO2. Terá de ser uma nova abordagem que acabe com o paradigma do “crescimento económico”, que respeite os limites do planeta e a natureza, e que coloque a felicidade das pessoas acima do lucro. Só será conseguida quando for globalmente admitido que crescimento económico continuado é impossível, quando a palavra competitividade for substituída pela palavra cooperação, quando se pensar, planear e decidir a longo prazo – para as gerações seguintes, e não no prazo de um mandato político, e quando for entendido que o planeta não precisa dos humanos, mas que os humanos é que precisam do planeta.»

Manuela Araújo é autora do blogue sustentabilidade é acção, onde encontramos muitas vezes informações úteis que o que os canais mais comuns de informação não nos fazem chegar com tanta clareza.

1 comentário:

sara aires disse...

Como concordo com as tuas palavras, acho mesmo que este deverá ser o "novo paradigma", pôr em causa a ideia de crescimento económico em prol da sustentabilidade.