Sem o tricot e sem livros, ter de fazer tempo sem me afastar muito, e por acaso, com a máquina fotográfica na mochila. Bastou-me começar a andar para ficar entretida, e aquela hora passou num instante.
Durante a minha infância, desci e subi esta rua quase todos os dias. Há pouco tempo passei por lá e como tinha a máquina, parei o carro e aproveitei para fotografar aquelas paredes que concentram um aglomerado de azulejos inesquecível.
O carro passou uns dias na oficina. Houve dias que soube bem não precisar de me lembrar onde o estacionei no dia anterior, mas nos últimos dias confirmei mais uma vez que me faz falta, porque perto de casa não há transportes directos para onde precisamos de ir.
Para levar a miúda à escola posso apenas apanhar dois transportes diferentes, mas para ir para o emprego tenho de apanhar três. Se fosse assim todos os dias, teríamos de madrugar e dormiríamos menos horas. Ainda bem que posso ter carro para o dia-a-dia, ganho tempo, mas o que eu gostava mesmo era que tudo fosse perto e pudesse ir a pé.