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domingo, 7 de outubro de 2018

Over Flow

Um dia, mergulhamos no lixo. Atualmente, até já nadamos entre peixes e partículas de plástico, aquelas de que são feitas as novas roupas e que a água com que são lavadas vão dar ao mar. Para quem não sabe, já existe roupa feita com garrafas PET incluindo calçado. À primeira vista o conceito de reciclagem parece bem aplicado, no entanto, se refletirmos sobre o assunto, seria bem melhor não andarmos vestidos assim. Também consumimos peixe, que por sua vez, também já ingeriu plástico. A solução passará sempre por recusar as embalagens antes de comprar, para não dar início a tudo novamente.

A instalação é do artista japonês Tadashi Kawamata e os materiais foram recolhidos na costa portuguesa pela Brigada do Mar.
Grande parte deste lixo são redes de pesca, caixas de esferovite que transportam peixe e logo a seguir as garrafas de plástico, principalmente de água. É tão impressionante como ao mesmo tempo ainda encontramos uma certa beleza no que é trágico. Pelo menos o que ali está exposto não irá voltar ao mar, resta saber se quem visita fica sensibilizado o suficiente para mudar hábitos de consumo.

A exposição está na Galeria Oval do Maat até ao dia 1 de abril de 2019.





sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

manifestos


iFixit: welcome to repair

Self-Repair Manifesto inspirado neste, que vive em duplicado na minha cozinha e no atelier. Garanto que o anterior, não é só mais um manifesto fundamentalista pendurado numa parede só porque fica bem, com facilidade seguimos à risca, basta começar por mudar um pouco os hábitos e as escolhas diárias.

Não sei arranjar tudo, mas consigo arranjar algumas coisas, tipo isto. Podem ser insignificantes mas a sensação deve ser a mesma que arranjar um telemóvel, a de ganhar mais liberdade.

iFixit.org

domingo, 12 de janeiro de 2014

paisagens residuais

Oxford Tire Pile #1 Westley, California, USA, 1999

China Recycling #5  Phone Dials, Zeguo, Zhejiang Province, 2004

China Recycling #9  Circuit Boards, Guiyu, Guangdong Province, China, 2004

«[we] come from nature.…There is an importance to [having] a certain reverence for what nature is because we are connected to it... If we destroy nature, we destroy ourselves.» – Eduard Burtynsky

Os «nossos» resíduos fotografados por Eduard Burtynsky.

sábado, 26 de outubro de 2013

sair à sua




Eu ainda acredito que o futuro está nas nossas mãos. Sou incapaz de ignorar o que se passa à minha volta só para me sentir mais feliz. Sou bem mais feliz se souber o que se passa na realidade, e tentar perceber naquilo em que posso colaborar e as mudanças que podem passar pelas minhas mãos e pela minha atitude todos os dias. Dou valor à liberdade que me é dada para poder não aceitar o que me é imposto, e ir às urnas não é suficiente. Choca-me tanta gente desconhecer que haveria hoje uma manifestação, mas sabem que uma porcaria duma loja da Primark abriu no Colombo.

Sou uma cidadã do mundo mas vivo neste país e preocupo-me.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

árvores


Time moves still – árvores de Amir Zaki.

(via blogue de cheiros)

………

A propósito de árvores, fiquei triste com esta notícia, acima de tudo por quererem que acreditemos que isso poderá ser bom para o nosso país neste momento, a extração de ouro. Acho que todos já deviam saber o quanto é prejudicial para a nossa saúde uma mina a céu aberto e conhecer o lado «negro» do ouro. Porque é que não podemos aproveitar o que já temos da melhor maneira?

Quem quiser ficar mais informado acerca disto pode ver o episódio da Biosfera.

sexta-feira, 21 de junho de 2013


A ler de fio a pavio a A História das Coisas apetece-me transcrever para aqui tudo o que a autora explica pormenorizadamente ao longo dos capítulos, de como tudo está interligado – política, consumo, recursos naturais, saúde, sociedade, alimentação, etc. De como a mudança pode levar gerações mas também pode acontecer num segundo, e de como o crescimento económico não é o verdadeiro caminho como nos querem incutir, no nosso país e noutros.

Hoje, ao ler esta entrevista, achei que as palavras da Manuela Araújo simplificavam uma pequena parte do que queria registar.

«(…) os governos são praticamente controlados pelo poder económico e financeiro das grandes multinacionais, e perfeitamente viciados em “crescimento” económico. Veja o caso de Portugal, em que a “crise” tem justificado um “andar para trás” a nível ambiental sem precedentes – diminuição de coimas ambientais, promoção da monocultura de eucalipto, barragens em paisagens protegidas, etc.; ou o caso do Brasil em que a ambição de crescimento tem permitido a continuação da destruição da floresta – novo código florestal mais permissivo, a barragem de Belo Monte e a destruição do Rio Xingu, o genocídio do Povo Guarani Kaiwoá, etc.; ou o caso dos EUA onde recentemente permitiram uma lei que praticamente concede imunidade total à Monsanto, uma empresa que detém 90% do mercado de transgénicos e com um historial de corrupção inacreditável. (…)»

«O capitalismo já nos demonstrou que é um verdadeiro predador de recursos e de vidas humanas. É uma filosofia de mercado que não respeita nem os limites do planeta nem os limites das pessoas. É uma procura incessante de lucro para poucos à custa de muitos e da destruição feroz de recursos. E esta economia verde de que tanto se fala mais parece o capitalismo a pintar-se de verde, como um lobo a vestir pele de cordeiro. Se vir bem, esta economia verde está a ser impulsionada pelas mesmas corporações que tem vindo a destruir recursos e a acumular riquezas. Portanto, o princípio está errado. Só uma economia que não vise o lucro de alguns à custa dos outros pode defender o planeta e as pessoas. Não é o caso desta “economia verde”, e esse não é o caminho do desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento não será sustentável se só se basear em tecnologias que emitam menos CO2. Terá de ser uma nova abordagem que acabe com o paradigma do “crescimento económico”, que respeite os limites do planeta e a natureza, e que coloque a felicidade das pessoas acima do lucro. Só será conseguida quando for globalmente admitido que crescimento económico continuado é impossível, quando a palavra competitividade for substituída pela palavra cooperação, quando se pensar, planear e decidir a longo prazo – para as gerações seguintes, e não no prazo de um mandato político, e quando for entendido que o planeta não precisa dos humanos, mas que os humanos é que precisam do planeta.»

Manuela Araújo é autora do blogue sustentabilidade é acção, onde encontramos muitas vezes informações úteis que o que os canais mais comuns de informação não nos fazem chegar com tanta clareza.

terça-feira, 7 de maio de 2013

sementes da liberdade


Seeds of Freedom

A propósito da nova lei das sementes (até me parece uma piada) lembrei-me deste documentário que vi há uns tempos e achei tão oportuno partilhar agora. No fim de semana ainda vi um outro que deu na televisão sobre o algodão na Índia — a verdade por trás da etiqueta — do qual encontrei isto.

Não me esqueci da exposição «Sementes Valor Capital» no MUDE (2010) nunca fez tanto sentido como agora.

sábado, 27 de abril de 2013

«obsolescência planeada»


The Story of Electronics (versão legendada em português BR)

Um post dedicado ao meu querido e adorável telemóvel vintage, o qual é considerado por tantos obsoleto.

Acrescento que não comprei nenhum. O primeiro foi oferecido e mais tarde roubado. O seguinte e o atual herdei-os, através de familiares que os consideraram ultrapassados e inadequados às suas novas necessidades. Agradeço-lhes a herança :-) e por enquanto possuo a vantagem de ninguém o querer voltar a roubar.

A propósito do tema, dou-vos a conhecer uma excelente leitura para quem se preocupa, ou não, com o consumo desenfreado de substituição de «coisas». Teríamos a vida facilitada se consumíssemos apenas o necessário e se tentássemos consertar primeiro o que se estraga antes de optar pela substituição imediata. Tanto o filme como o livro, em português A História das Coisas, são fruto do trabalho de Annie Leonard, a qual admiro, e mesmo não sendo este assunto uma novidade, continua demasiado atual e encontramos sempre alguém que ainda não tenha pensado nisto seriamente.

O lixo que cada um de nós faz é da nossa própria responsabilidade.


The story of Stuff  (versão legendada em português BR)

Achei útil deixar aqui as páginas do livro que abordam parte do tema (cliquem para ampliar).




quarta-feira, 27 de março de 2013

remunicipalização



O verbo privatizar já me causa repulsa. Agora é a vez da água. O vídeo mostra que poderíamos aprender com os erros dos outros, antes de cometermos os nossos.

Privatizar – Passar para domínio de empresa privada o que era do poder do Estado.
(fonte Priberam)


Via sustentabilidade é acção.

quinta-feira, 7 de março de 2013



Que bem que ela falou. (via P3)

São vídeos destes que deviam assumir o estatuto de «viral», mas perde-se tanto tempo a repassar, a recriar e coreografar vídeos que apenas mobilizam as pessoas para dançar (ou para outra distração qualquer), que lhes tiram o tempo para pensarem no estado de sítio em que o país se encontra e a querem mobilizarem-se verdadeiramente para fazer alguma coisa para travar isso.

Com isto, não quero dizer que a distração não seja bem-vinda, claro que é, quando não é em demasia e temos tempo para não descurar do resto.

sábado, 2 de março de 2013

«Todas as nossas avenidas são da Liberdade»





O que interessa se o Terreiro do Paço não transbordou? Significativo foi ter visto com os meus próprios olhos muitos idosos a caminharem nas ruas e a cantarem emocionados, e muito menos pessoas a sorrirem. As que foram hoje, não estavam a fazer turismo nem foram por desporto.

Trouxe comigo o silêncio entre as estrofes do final ♥

sexta-feira, 1 de março de 2013

março marçagão


Custa-me muito, ouvir pessoas da minha geração, que acham que não serve de nada perdermos tempo em manifestações, que o melhor é deixar de ouvir as más notícias sobre o estado do país, que há sacrifícios que temos de fazer e temos de aceitar o que nos impõem, e de ouvir a lengalenga já tão batida «que gastamos mais do que aquilo que temos». Eu não gastei, mas alguém gastou, e muito mais do que cobra de impostos.
Como não perco a esperança, amanhã junto-me àqueles que sabem que não podem mudar o mundo, mas sabem que podemos torná-lo melhor. Eu acredito nisso.


Imagem retirada daqui.

………

Tem sido notícia e é cantada por todo o lado nos últimos dias (em que as opiniões dividem-se acerca do modo como está a ser utilizada), para mim é positivo no sentido em que, quem ainda não conhecia a canção ou esqueceu-se da letra pode agora aprendê-la, relembrá-la ou ensiná-la aos filhos.

sábado, 27 de outubro de 2012

perder tempo

Hoje perdi tempo a ouvir o «nosso» primeiro ministro nas Jornadas Parlamentares, e digo que perdi, porque cheguei a um ponto em que já não acredito em nenhuma palavra do que discursa, nem no improviso que para mim estava demasiado estudado. Espontâneo? Aonde? As palavras são sempre as mesmas, e deixaram de fazer sentido para quem já nem o consegue ouvir, nem sequer olhar para a cara dele, ou para qualquer ministro do seu clã. Que desapontamento. E ainda se batem palmas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

cinco anos depois

O conteúdo deste post vem a propósito de outro muito anterior. Ando a organizar as fotografias, e ao consultar as datas no blogue achei que faria sentido escrever novamente sobre o tema passado 5 anos. Vou apenas focar-me em alguns pontos, para daqui a mais 5 anos ter as minhas próprias referências.

Cá em casa, continuamos a fazer a separação do lixo. Continuamos a reciclar papel, tal como fazíamos, talvez até um pouco mais se formos contar com os invólucros de cartão dos iogurtes como exemplo. Infelizmente, a maior parte das marcas impõem-nos isso, e é raro o local em que podemos comprar à unidade.

Costumava ir quase todas as semanas à praça, mas nos últimos anos optei mais pelo comércio local, perco menos tempo (tão útil e não se recicla), e cheguei à conclusão que comprando diariamente ou semanalmente o que é necessário economiza-se mais, não somos seduzidos por packs que depois passam a validade na despensa e enchem-nos o caixote. Quando digo isto há quem pense que vou todos os dias ao supermercado, mas não vou, compro o que vou precisando na mercearia, no talho, na padaria de bairro, etc. Além de ajudar o comércio tradicional simplifica o meu dia a dia. Tento trazer produtos de origem portuguesa, além de ajudar produtores do meu país, poupa-se no consumo dos transportes e há menos poluição.
Outro dia passei pelo Pingo Doce, e ao procurar fruta nacional apenas encontrei uma qualidade de maçã, pêras e morangos (?) de origem portuguesa, mas não podia trazer apenas a quantidade que precisava, estavam já embalados em sacos e caixas plásticas. A fruta importada dominava os expositores, deviam era ter vergonha.
Passámos a produzir algumas ervas aromáticas para consumo próprio, quando as comprava, vinham envolvidas em plásticos e apodreciam rapidamente no frigorífico. Cortado na hora, sabe bem melhor!

Utilizamos cada vez menos sacos plásticos, e continuo a não perceber porque razão não se pagam os sacos, não era suposto isso ter acontecido durante os últimos anos?
Continuamos a usar os guardanapos de pano. Utilizamos panos de cozinha para secar as mãos ou limpar alguma coisa, é raro utilizar o rolo das toalhas de papel. Continuo a usar os tapperwares para congelar os alimentos ou transportar os lanches, reduzo a necessidade do papel de alumínio e abomino por completo a película aderente.
À medida que nos vamos preocupando com as embalagens dos produtos que compramos, vamos pensando nas soluções que poderiam reduzir o volume do lixo, e uma delas são as recargas para os champôs. A marca que fizer isso passará a ter-me como cliente. Já agora, porque razão a pasta dentífrica tem duas embalagens? Só a bisnaga de plástico seria suficiente.

Em algumas noites de verão, infelizmente, começámos a utilizar as «pastilhas azuis» anti-melgas porque a miúda faz alergia às picadas e tento evitar os medicamentos. Chegámos a comprar na farmácia dispositivos ecológicos anti-melgas que não resultaram (supostamente durariam para sempre, dizia a publicidade).

Temos um tarifário bi-horário desde que viemos para a nossa casa e tentamos nesse período colocar as máquinas da roupa e loiça a funcionar. Espero que não se lembrem de acabar com esta modalidade.

No banho, continuo a não desligar a água do chuveiro :-( — a minha filha fez isso por iniciativa própria mas eu não consegui seguir-lhe o exemplo – mas recolhemos a água para um balde antes de chegar a quente (quase 5 litros de cada vez que alguém toma banho, e somos três!). Aproveitamos para regar as plantas lá fora ou substituir a descarga do autoclismo. Continuamos a usar sabonetes, mais ecológico, mais saudável e menos embalagem. Para mim o «gel duche» é mais negócio da china.
Fora o caso do banho, falho noutra coisa… esqueço-me muitas vezes das luzes acesas. Preciso de me lembrar mais vezes dos ursos polares!

Durante a vida deste blogue tenho partilhado exemplos de aproveitamento de «lixo», nas embalagens que envio pelo correio, e em brincadeiras com a minha filha.
Para ilustrar o post escolhi a gaveta das «montagens grossas» da miúda, desperdícios que apesar de não terem haver uns com os outros, dão resultados surpreendentes. Cada criança devia ter uma gaveta destas à disposição e não custa nada, acrescentem-lhe apenas uma tesoura e cola. Um modo fácil de os sensibilizar para o aproveitamento de desperdícios. Por experiência própria, posso dizer-vos que resulta, e abre os horizontes da criatividade.

Daqui a 5 anos espero conseguir acrescentar outros bons hábitos. Não precisamos de ser radicais, precisamos apenas de fazer o que está ao nosso alcance na vida diária, irrita-me muito os que ainda não fazem o mínimo esforço.
Não faço ideia se em 2007 o Blog Action Day trouxe algo de novo aos hábitos de quem leu os blogues que participaram, pensar em grupo dá-nos a ideia de que a mensagem propaga-se e torna-se mais forte, mas essa mensagem só tem verdadeiramente impacto no mundo se cada um conseguir e tiver realmente vontade de a concretizar individualmente.

E maçar as pessoas de vez em quando, com um post assim, também não faz mal nenhum :-)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

«We think too much and feel too little»

 


Charlie Chaplin – discurso incluído no filme O Grande Ditador (1940) que refletia os seus próprios pontos de vista sobre a situação política em 1939.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

«tachos, panelas e outras soluções»




Queria fugir ao tema, mas ainda não consigo.

A Joana tirou-me as palavras da boca e voltei a rever partes do documentário sobre a Islândia que já tinha visto no blogue da Sílvia, mas entretanto as férias anestesiaram-me e até o esqueci. Passo agora o conteúdo aqui para o meu, porque vale sempre a pena levar mais alguém a pensar sobre o assunto.

Não gosto de falar de política, nem sequer de ouvir os outros falarem, apenas publiquei e tenho expressado a minha opinião nestes últimos posts por questões de cidadania.
Acho lamentável que depois do esforço que tantas pessoas fizeram no sábado, outras vozes desvalorizem a mobilização e se resumam a este tipo de destaque.

sábado, 15 de setembro de 2012







Temos voz e sabemos fazer. Hoje foi o dia.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

desabafo na rentrée - parte II




Estava a tentar não voltar a escrever sobre isto, este blogue não era assim, mas continuo a ferver. Nos últimos dias, em cada local que entro só oiço reclamarem da vida, como o senhor que entrou ontem no talho e disse: «Afinal vou guardar a caçadeira, o coelho fica na toca, a televisão é que vai lá.». De seguida houve quem reclamasse por todos terem sido sempre corruptos e que há muitos anos desistiu de votar por não merecerem o esforço. Não compreendo. O esforço não é por eles, é por nós!

Como é que desejamos uma mudança sem sair do local de conforto?

Reclamar nas redes sociais é confortável e partilhar o que os outros escrevem torna a coisa ainda mais fácil, só que todos os posts ficarão para trás. Sair amanhã para a rua é podermos dizer no futuro aos nossos filhos que temos uma voz, que tentámos, demos corpo e não fizemos apenas um post.
Amanhã não vou à praia, não vou passear, nem ficar a dormir, irei junta-me a muitas outras pessoas, cada uma certamente com as suas motivações, mas que têm em comum a esperança e a vontade de fazer mexer qualquer coisa. E isso, nunca é pouco.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

desabafo na rentrée




Empreendedorismo — palavra tão gasta nos últimos tempos que deixa de fazer sentido no discurso dos governantes que nos entopem os ouvidos com o cliché, em que devemos ser mais empreendedores e criativos para combater e sobreviver à crise, coisa que eles próprios não sabem fazer. Como é que se ensina e se transmite aquilo que não se sabe? Não lhes ensinaram a lidar com pessoas? E como é que aceitamos tudo o que nos impõem e ninguém se sente ofendido? Estamos sedados? Parece.

Este vídeo explica tão bem o que todos nós criámos ao longo dos últimos anos e como estamos a viver as consequências. Acho que a maior parte das pessoas não se lembra que está tudo interligado e que as ações de alguns podem interferir no resto do mundo. Claro que não passa só pela falta de dinheiro nos bancos nem pelo valor do petróleo, passa também pelos valores de cada um, pelos hábitos que não queremos mudar e pelos recursos naturais que continuamos a ignorar.

Comecemos por exemplo pelos incêndios, expliquem-me como é que basta apenas um dia de calor intenso para se propagarem vários incêndios por todo o país? E porque é que com tanto calor o Alentejo não arde? Como é possível continuarmos sem guardas florestais? Andam distraídos só com as 7 maravilhosas praias de Portugal?
E os «novos» velhos hábitos? Escrevem-se artigos (já os passo à frente) que continuam a dar ênfase à moda da marmita e eu pergunto, mas ninguém fazia isto antes da crise?! Saberem o que estão a comer nunca foi motivo suficiente para utilizarem a marmita?!
Não vale a pena continuar a citar exemplos.

Este, não era o post que eu previa escrever no regresso das férias, tinha planos para voltar só no outono, mas «enchi» com a fonte de informação que destaca a crise-austeridade-troika e é impressionante a quantidade de pessoas que a colocam online e a vão partilhando incansavelmente, parece que de um momento para o outro o país se esgotou e todos aceitam o veredito. Não consigo ficar indiferente.
Não vou mudar o mundo com um post, mas sei que o que faço na «vida real» irá interferir no resto e também na vida dos outros. E não é de agora que penso assim.
Noutro dia à beira-mar, algumas pessoas estavam a olhar para um saco plástico que voava de um lado para o outro, faziam-se caretas ao saco mas ninguém se mexeu para o apanhar — uma espécie de «voz coletiva» dizia: Não é meu. —, faltava pouco para uma onda levá-lo ou para as crianças levarem com ele. Eu acabei por ir apanhá-lo e meti-o no lixo. Não fizeram nada mas sei que para a próxima uma daquelas pessoas irá fazê-lo porque me viu.

Misturei os assuntos todos, não estou com muita vontade de escrever um discurso muito coerente nem de riscar o que está a mais, a verdade é que tinha a cabeça a fervilhar. Certamente já alguém escreveu sobre isto e é só mais um desabafo no meio de muitos, mas estava ali a pensar e de repente apeteceu-me mandar nisto tudo!

………

Esta animação destacou-se no meio do ruído. Hoje, tenho de reconhecer que o FB foi-me útil, mas estamos longe de virmos a ser grandes amigos.
Doing it ourselves através de plantar uma árvore.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

lixo




Acredito que se as garrafas de plástico valessem dinheiro não as víamos por aí como de flores se tratassem. Qualquer coisa que acumulasse alguns cêntimos num cartão de compras acho que resolveria uma pequena parte do grande problema. Também há quem não deite garrafas de plástico para o chão, nem papel sequer, mas deitam as beatas. Já vi. Devem ser beatas especiais.

Também já vi quem o faça disfarçadamente no estacionamento, abre um pouco a porta do carro, vira o cinzeiro ao contrário batendo ligeiramente no alcatrão para não estragar o cinzeiro, claro. Depois vão-se confundindo com a folhagem. Eu sei que as beatas são tão biodegradáveis como o papel, mas ao fim de 3 meses temos mais e é interminável.

Estas fotografias foram tiradas à porta do meu prédio, mas toda a rua está assim perto da berma do passeio, aliás sempre esteve, porque a renovação do stock é constante.